Escritas

A arma da desilusão

davidveiga
Morri no ano de setenta e um

Homem recente de sonhos imprudentes

Em nome da Pátria e da Nação,

Deram-me a ordem, lutar contra a razão!

 

Moçambique, terra de outros homens

Terra do sol que nasce no mar,

Nova pátria regada no sangue e ilusão,

Em que marcham armas, no pó negro e humilhado.

 

Vinte e cinco meses a viver e a morrer.

Pelo dever, Homens e Heróis contrariados

Vivem calados na sede da água perdida,

Com medalhas e remorsos no peito partido.

 

No ano de setenta e três, com cheiro de morte,

Abraçamos os irmãos nascidos nas balas sem nome,

Regressamos no mar do fim escondido,

Á terra que é Pátria, mas também desilusão.