Escritas

Borrasca com-sem Talamasca

mgenthbjpafa21
Entrei atrasado no gabinete do Delegado,
Já vinha cheirando a borrasca sem Talamasca
A pica entrou no meu cú desatento,
Caiu o pano, havia grades num momento
Ai, está gostando? Sarcástico no tom
Mas claro, beleza pura, muito bom. 

Não era uma cela de dormir de lado no chão
Enquanto os irmãos ficavam de pé.
Tas lançado na vida, uma cela dupla de 2 por 2
Água e cagadeira, varejeiras e uns ratitos,
Que a delegacia, buracos que davam para a rua
Naquela área só tinha 5 celas para menores, policiais,
Especiais, que luxos vós mostráis.
Sem direito a pátio ao ar livre mas de bom calibre.

Uma estridente campainha ia e vinha
Para os detentos terem goradas esperanças,
À espera de visita, entregas ou notícias
Coisa pensadas, ir quebrando com carícias.
Chegarem três elementos  do Comando no meio da noite
Por receio de açoite ia dar meu beliche de cimento? 

Então calmo e sereno, disse
Aí, bro, este é meu e um pode dormir no chão por baixo, um bónus
Outro em cima e um  enroscado na banheiro
Ou espera inteiro encostado na grade.
Se eu pisar não levem a mal que sou sonâmbulo, 

Tou acusado de tentativa de homicídio acabada e qualificada
Fútil, cruel, meio insidioso, esqueci da quarta.
Deve ser por ter afundado os ossos do rosto do filhinho só com as mãos,
Há não, disseram que usei o extintor do carro.
Dupla fratura de crânio, nariz quebrado, e o raio que parta
Afundamento de ambos os ossos da face,
Dentes e perda do sentido do olfato.
Como está em coma induzido não vos posso dizer mais
Melhor tivesse jogado o cara e a mulher do barranco
Testemunha viperina não teria tanto.

Todo o mundo por aí me chama de bonzinho,
Alcoolizado e o cara não me deixou pegar o volante pertinho de casa,
Sabendo bem, caseiro, que era e sou um grande condutor bêbado,
Só tenho um acidente se decidir andar excepcionalmente rápido, aí poderia ter,
Como qualquer um, experiência, com conciência, de beber
Ao conduzir ensinam automatismos nos percursos habituais, não defendo,
Por isso tinha levado o caseiro como convidado, caro.

Em vez de sair ir a pé para casa, o Sr vá sozinho ou com a sua filha, comigo não,
Veio para cima de mim que há muito tempo que me queria foder e esse dia era hoje
Eu, somos amigos, para com essa a merda, pára pára, sai dessa.
Não parou, passei-me quando me deu com a porta da Passat no focinho
Ai a certo ponto deixei o controle escapar...esqueçam, debriefing.
Que tatuagens bonitas, comando vermelho, acham que dá para eu fazer a jura do credo?
E aí, vcs mataram quantos? 

E eles, sorrindo e tristes, magrelos, disseram,
Debri o quê_ Nós estávamos na boca a passar papelotes
Os olheiros deram mole, não enviaram informança.
Nem sequer azeitonamos os caras, vamos ver se dá para sair na fiança.
É, para mim não tem fiança não, pra vcs é mole sair.

Nós tamos cá em baixo porque esse aí xingou o PM no camburão
E os caras foram detonar-nos na cela lá em cima, somos dedos de seta.
Aí tamos fodido, temos que sair e correr, o bicho vai pegar...
É, foda, vai parar no bidão no meio de uns pneus…segura a barra.
Só que quando sair sai do Estado e das rotas...tem de gastar as botas.

Quatro caras felizes numa cela de dois é bom.
Lá em cima numa de oito estão mais de trinta.
Somos uns sortudos cheios de pinta.

Era uma vez em Têrê, a casa de detenção e uma grande armação.
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