Saudades de outrora

Que saudades de outrora, dos tempos das fazendas,
que no raiar do sol, a janela se abria,
e uma linda flora em sua frente surgia.
Do cheiro do café colhido nos campos
e passado nos coadores de pano.
Do fogão a lenha exalando o cheiro
do bolo, misturando-se ao da abóbora, 
que com o cravo deixava um aroma
doce pela casa afora. 

Saudades das moçinhas, que na manhã fria, levantavam
felizes e coradas, vestidas em tecidos de algodão; 
sonhando com o baile de mais tarde no salão.
Em seus quartos de costuras se fechavam, 
buscando procurar, seus laçarotes e flores;
que a noite as iriam enfeitar.
Passavam o dia contando os segundos no relógio
cuco no canto da sala; esperando ansiosas, o 
encontro com os moçinhos, qua ali estariam
para corteja-las.

A hora tão esperada chegava; e as moçinhas agora
e seus vestidos de renda e seda, com os rostos cheios 
de pó de arroz e a boca com batom cor de carmim,
passavam sua água de cheiro que purificava a casa
com aroma de jasmim.
O sol se escondia, a lua surgia e o baile começava; 
o som dos violinos no fundo do salão encantava

As moçinhas de um lado, os moçinhos do outro;
tão garbosos em seus ternos engomados, com as mãos 
suadas, ansiosos pela valsa com sua amada.
Que saudades de outrora, dos bailes das fazendas,
onde; quando as mãos se tocavam e os olhares
se cruzavam, na mesma batida dos corações
disparados; as moçinhas e os moçinhos já sentiam
que pra sempre juntos ficariam; e naquela dança;
ao amor se renderiam.



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