Escritas

Poema 2 do dia 27/08/2019

alvaro_botelho00

As palavras me fugiram
Como os trovões fogem do céu
As palavras foram raptadas
Pelo silêncio vagalume

Para onde eu irei agora
Se são as palavras da vida a fonte? 
Morro quando a boca do dedo
Costura-se ao branco do papel 

Eu sou um órfão sem as palavras
Sou uma tempestade sobre o mar
Nuvens que sua chuva nunca choram
Sou uma tempestade de raios mudos 

Sem as palavras não tenho carne
As letras ordenadas são minh’ alma 
Conjuram em conjunto o meu tudo 
Ao fugirem as palavras foge-me o mundo