Escritas

Alforria

elenis


Alguma vez a água escorre
e se perde por entre os vãos da calçada
Some penetrando na imensidão esburacada. 
Encharca a terra febril regando os grãos
entumecidos mesmo em noite luarada.

Por derradeira vez
a água some na passagem órfã de arrimo
e desaparece no abismo. 
Restam sinais do medo da partida.
Perduram entre o relevo do cimento 
marcas de terra em esquiva

gritando pela vida no tortuoso caminho.
Uma farpa sucede mais tarde 
e o solstício  embeleza o acaso.
Ulula o vento e surge   
melindrada pela luz do meio dia
Uma flor de alforria ©