Escritas

Na ponta do lápis

gabrielriva
Quero a agonia do poema incompleto,
Verso solto em meu caderno,
Rima pobre em meu soneto
Métrica desfeita em meu terceto.

Quero levantar o copo pensando em odes
E ver que a poesia pode,
Falar da pedras no caminho
E de mortes da bezerra.

Sorte  tem quem,  pelo menos,
Numa terça-feira,
A qualquer momento,
Num verso etílico ou 
Hai-kai sarnento,
Faz da agonia, liberdade.

Como quem espanta a coceira
Ou limpa o cabelo grudento, 
Completa um verso de amor
,Desses que goza,
Na ponta do lápis.