Poema pra depois de amanhã
Estava vivo, porém só a alma respirava. Sonhava juntar os cacos que só o amanhã me traria - e um dia ele me trouxe - por isso, desejei não ser mais eu, mas não pode mais: Estava colado por dentro de mim, como o meio ao centro! Mas ainda assim, aonde a cola do tempo não tinha pregado, estava com um pedaço de vida, como um pedaço de um lenço de papel úmido, esculpindo da rocha de quem eu poderia ser, quem eu deveria ter sido!
Estava morto, e mesmo assim a minha alma respirava. E embora em comunhão como a vida, pois eu ainda sentia dor, pude de um acerta forma, subir o céu. E então de lá e me olhei... - (estava) - caído no primeiro passo que eu não quis dá e preso ás correntes, que, não ter sido preso era o que não fazia preso a elas. Também, ouvi me confessar que "aprendi a mentir por brincadeira, depois a brincadeira virou solução!"
Aquela parte que o tempo ainda não tinha colado dentro de mim fui eu quando subiu a céu. E que de lá sentiu tamanha pena de mim. Lembro-me, ainda, que ele juntou todas as cenas da minha vida - todas as cenas? Sim! Mas só as que não existirem e formou um filme para ser assistido depois... E cantou as já envelhecidas e também esquecidas canções de sempre para os meus sonhos que nunca foram e nem nunca serão.
Vejo a minha vida como um rio de água limpas e que corre mais do que posso acompanhar. Desde que tudo o que vejo não desejo o rio continua limpo e corre mais do que posso acompanhar. Mas se ao contra for, o próprio Rio Tietê, do nada, me vem ser parente por uma nascente onde o meu querer tem de passar.
O que me restou de que deveria ter restado fio não ter me restado justamente, justamente, e justamente nada. E também ser os vagões vazios de um grande trem - e não passo disso - e sigo numa trilha de não ser esse trem na esperança de estar preenchido pela frase: "nunca e tarde demais para sermos o que poderíamos ter sido" Estive morto ... eu sei...! "Neste mundo, são aqueles que aproveitam a oportunidade que têm as oportunidades" - se amanhã eu conseguir me libertar eu mesmo terminarei esse poema