Escritas

Tempestade

gcpinheiro
Eu quero gritar. Esbravejar. Soltar o que está dentro de mim. Nem mesmo sei o que é, mas preciso soltar tudo. Eu quero falar até não existir palavras. Escrever até minhas mãos doerem. Quero o extremo de mim, porque o que tenho não me basta. Não é suficiente. Como um mar calmo e tranquilo, as ondas vão ser gentis, mas uma tempestade tende a se aproximar e faz o mar se agitar, se enraivecer, as ondas são agressivas. Dá medo e dá raiva. Saber o que posso fazer. Saber o que fiz. Tem um grito preso na garganta. Mas meus olhos gritam. Minhas mãos agarram tudo que puder me salvar. Meu rosto pede por socorro. Meu corpo se contorce de tremor. Grito sem som até não existir nada. Espero. Minha voz volta, mas não grito mais. O medo que sento sumiu. E então espero mais uma vez. O tempo voltou ao normal, o oceano está calmo, a água é gentil novamente. Mas não descanso. Não relaxo. É sempre um grande ciclo. Dias depois o céu se fecha novamente. E então recomeço.