Escritas

Calma

Nilza_Azzi
No espelho do lago brilha o luar;
a brisa é suave, o som saudosista.
as flores do Ipê parecem dançar:

um breve amarelo surpreende a vista.
A crista da serra escura refaz
fugaz ligação ao alto e conquista

a calma azulada, o céu em que jaz.
Um bosque à direita mostra a silhueta
e a estrela pequena refulge atrás;

espia a paisagem: − É Vênus, planeta!
Longe, a miragem de um cume ao final
coroa as encostas, úmidas, pretas,

a noite é um fato estranho, irreal!
O orvalho recobre o capim vergado,
ao longe, o barqueiro dirige a nau.

Desvio o olhar, contemplo outro lado.
Esconde a planície um manto sem fim
que de pirilampos vai constelado.

Ares rescendem a cravo e jasmim,
a alma percebe o quanto é pequena!
Não guardo memória, mas sei que assim

passo a integrar o delírio da cena.
Jamais vou saber o que foi que eu fiz,
mas estou aqui e bem vale a pena

ainda que falte base ou raiz...

Nilza Azzi
#terza rima
105 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.