Escritas

Safra antiga

Nilza_Azzi
Do seio de Deméter a fartura
depende da semente e cada grão
brotado é uma seara já madura,
oferta aos ceifadores que virão.

Perséfone acompanha seu marido
e desce às profundezas... Chora a terra!
O inverno deixa o mundo comprimido
e um branco vasto e puro se descerra.

Porém, na primavera, ela retorna
ao lar da deusa Ceres, linda e pura.
Florescem campos, vales, e a bigorna
trabalha admirável armadura.

A força produtiva, o alento pródigo,
suspenso no recesso, ausente a filha,
Deméter, ressarcida, entrega o código
e assim a safra d’ouro ao sol rebrilha.

Nilza Azzi

 
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