Historia de um Versinho que nem existiu
Fiz meu versinho com tanto esmero, tanta sede e solidão. Depois disso mostre-o e leram-no rapidamente. em seguida, ele voltou tão calado como se fosse um caçador faminto que a eras procura uma presa, mas que não morre de fome na esperança de alcançá-la. Voltou ainda tão sem vontade de existir que o coração lá do fundo do lado bem de dentro de si, perguntou lhe, "o que fazer com tudo isso... - dobrar com as mãos que nem tenho e guardar nos bolsos que também não tenho." Minha alma de um centímetro de pele para trás fez também a mesma pergunta! Ainda deram-lhe um suspiro o qual a minha ciência já mais compreenderá. Mas só meus olhos - que naquela hora não traziam como essência a visão -, que o testemunhou soube. Isso porque no momento um era a sabedoria e o outro o segredo. Eu... - eu não sei e nem nunca jamais saberei e ainda com medo só suspeito. Mesmo sabendo que quando se tem esperanças a imaginação nos trai.
Acostumar o verso a esquecer tão pequenos detalhes, como se toda a culpa disso fosse dele, não é tarefa fácil, apesar de ser puramente metalinguística. Fosse assim de uma forma puramente carnal e viva em mim e tão longamente de desejos ate todos os desejos em comunhão com minha alma, eles diriam que sim. os meus verbos e versos agora são no passado e eu faço do meu querer a paisagem que prefiro. mas acostumar os verbos e especialmente o querer ao passado é coisa que só a mão que escreve pode fazer. Porque o resto de mim, do inicio do fundo da alma ate o ultimo degrau do céu não, não sabe e nem pode, ainda que queira. Por isso o - costume - inverso das coisas é plenamente tão desgastante e talvez ate impossível. Principalmente para algo realmente libertador e profundamente descobridor como um texto.