Da frigideira para o fogo
mgenthbjpafa21
Uma quina desnorteada sob o céu da América,
Uma esquina do barulho, dança, confusão,
Sentimentos, profusão, ânsia de destruição.
A moral estabelecida, contra o coração,
A personalidade ė um eu de capacete,
Vidros espelhados, opacidade total.
No calor da esquina os corpos desnudos
Faziam rir e suspirar, chorar, sair a acelerar
Pneus a cantar no asfalto derretido
O amargo de um problema garantido.
As luzes da cidade, a troca no redline,
O roncar forte do V6 rampante
A escolha do morro, aí que eu morro.
E não havia hoje maior felicidade
Se tivesse morrido ali, naquela verdade.
Nunca se enganara com o idiota,
Saltou da cova para uma lixeira,
No espelho, uma boca brejeira.
A presciência de uma estrada a afunilar,
Num quelho com cheiro de merda de gato
Lá pra frente uma poça de mijo no canto.
E o olhar ausente de quem sente
Que a espera é ainda longa afinal.
Infortúnio sem escrutínio,
E sem um doce lamento
Sem um crack no final
E o estoirar do osso.
Mais como esperar imóvel,
Gélido fundo de poço,
Uma tampa a raspar,
Uma nesga de luz,
A última ânsia sem nada a sonhar.
Nunca sentira falta de comodidades
Nem se pendurara por amenidades.
Alívio calmo, morna alegria,
A sensação de um dia bem passado,
Quina vermelha num poço selado.
Um sorriso sadio num corpo finado.
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