gosto
Gosto do sorriso daquela criança
Da brincadeira que lhe faz a felicidade
Tudo o que nela encerra esperança
E da memória que me traz à saudade
Gosto daquela miríade de águas
Convocadas à assembleia das chuvas
Recordações de pretéritos dias em mágoas
Atenuados por néctar extraído de uvas
Gosto da abafadiça quentura do estio
De animais que preguiçam dolentemente
Um intenso dia vivido de fio a pavio
Uma amizade que se sente intensamente
Gosto daquele velho cansado
Banhado no suor do esforço
Esquecido já do quanto foi odiado
Por amar de menos cheio de remorso
Gosto do esforçado trabalhador
Que esforçado no trabalho labuta
Pondo em tudo o que faz tal ardor
Como se estivesse em permanente luta
Gosto do doloroso grito da mulher
Que sofrida faz uma criança nascer
Tomando-a como aquilo que mais quer
Em desejos de a fazer crescer
Gosto da lágrima que saudosa cai
Por alguém que se despediu da vida
Perene recordação de quem se vai
Companhia para sempre perdida
Gosto daquele sincero abraço
Dado com um semblante feliz
Ofertando-me o seu regaço
Embrulhado num intenso brilho de petiz
Gosto de ti; meu amor sonhado
Quando o meu olhar se cruza com o teu
Ideia maior que tanto tenho amado
Bárbaro desejo que o sonho me prometeu
leal maria (todos os direitos reservados)
lealparaquedista@sapo.pt
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