Escritas

Um priapismo erodido

mgenthbjpafa21
É a óptica do ganso erguido,
A visão do músculo desossado,
O levantar da bandeira,
É o gritar: madeira!

Depois é o falo caído, o arrependido,
O muitas vezes mordido,
Que enfim, resvala e cala.
Mas então arranca a mordaça
E diz que traça, quero mais,
E não há quem por mim reze,
Que se foram, onde estais ò enxovais?

Todo au tour do planeta,
Despertou a pessegueira certa hora,
Outrora dominada, manipulada,
Na nova ordem da lei
Muito firme alicerçada.
Acordou para a broadband,
Banda larga de desejos assumida,
Ensimesmada, gritou zoeira,

Fodo tudo o que tiver à beira.

Desprezou o priapismo como exagero do dom,
Como um erguer do preconceito sem controlar o seu tom.
Concebeu sem precisão de alevantado,
Apodou esse mastro de pobre coitado,
E ele vergou-se, açoitado de razão,
Diz-se: há tempos que não tem pão.

Naquele dobrar essa esquina,
Um sente fundo e desatina,
Outros mudam a tenda,
Trocam a sina e a rima,
E há quem permaneça na senda,

Caminho do Calvário
Sem redenção de Sicário.

Na estrada dos assassinos há quem dance o foxtrot,
No caminho dos quebrados há quem esquive o bote,
Há quem dance sobre os mortos em adoração,
Vinhedo, plantio de côr, altar de emoção.
Na travessa dos malditos ouvem-se sempre gritos.
Gritos sem pau e nem xereca nos dentes.
E uma inquietude sopra, arrebata gentes,
Almas humildes, esquecidas de virtude,
Almas carentes, gente indecente, inocente
Gente alumiada por uma paixão candente.

A História é um roda dentada,
Um mecanismo Vitoriano falho de precisão,
Ainda há umas voltas desconhecia a razão,
E só neste sábado saiu para a noitada,
A maratona dos dados interconectados,
Os serões das indexações, uma data de Big Data.

A memória é a persistência do alheamento,
O amarrar de uma vela quando não há vento,
Um puzzle feito de peças tão tão parecidas
Que se encaixam numas e noutras vidas.

A sociedade tem uma memória dos vencidos
E os esquecidos reaparecem reinventados,
Após gerações em que não foram notados.

Contos nunca antes navegados,
Pálida lanterna dos afogados,
Florença de torre altaneira,
História para lá de qualquer bandeira.

Os ostracizados da ciclotimia dominam o dia,
Bipolares mudam os seus ares,
O povo do espectro assume sua inconstância,
Enquanto não passa a ânsia continua a fodilância.

Fora desta cela a coisa vai e anda,
Para lá desta cave ainda anda a banda.
Neste enovelado ambiente,
Não me encontro ciente de linha divisória
Entre a vida dos outros e a minha memória.

Há a linha de uma longa história,
Na orla desta serra já bem erodida,
Paira sempre uma ideia fodida,
Uma ideia além do priapismo,
Um abandono do cepticismo,

Nesse espaço inalcançado
Que fito e miro, embasbacado,
O ir e vir do olhar, sem perspectiva,
Esquece de si, remexe,

Olhar ausente, distante alivio,
Esborratado, desejado oblívio.
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