Escritas

Anauê, Krexu (Cretchu)

Nilza_Azzi

Certo dia, conheci abaetê,
entre os brilhos da formosa airumã, 
quando ainda não nascera um novo oirã,
e crescente, ia subindo airequecê...

Aprumado, vou saindo da carioca
se um caboclo chega e diz baixo:-Anauê!
Muito antes do começo de aracê,
lá na ocara chega quem saiu da oca.

Os carinhos, eu relembro, da cunhã
os sussurros em seu doce abanheém
e não quero ter que ouvir nhenhenhém...
Como é bom rolar por esse ybytatã!

Eu me sirvo da tigela de açaí, 
depois cuido de plantar uma juçara.
Bem pertinho, vou ouvindo nhambiquara,
que me aponta ao longe o belo ybacoby.

Não há mais escuridão, porque yami
foi expulsa lá nos lados de araxá.
De partida, levo junto o meu puçá;
sem demora me encontrei com meu guri.

Vou pisando no capim, o aguapé
colherei, porém não antes de virã.
Ao voltar celebraremos... Anacã!
Boa festa tem presença de avaré!

Animado vou tocando maracá;
trago as honras de um valente guarini,
que chegou, glorioso, vem de anomati
e só quer rever, feliz, seu doce obá!

Mbyci (Bartira)

*exercício poético em que as rimas são vocábulos do tupi-guarani
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