Eu em ÁLVARO de CAMPOS
Mayara Luiza
Eu, que tenho sido indiscutivelmente grossa
e má aluna.
eu, que tenho ignorado convívio social pelo amargo do escarnio
que tenho sido intransigente na rua
e mal-humorada de manhã.
Eu, que tenho gastado mais que ganho
jogado lixo na rua e não levantado na hora.
Que tenho falado a primeira coisa que me vem a mente,
perdido pertences
e xingado Deus e o mundo
Eu mesma estou farta!
Estou farta de semideuses!
eu me vislumbrarei pela humanidade
pela fragilidade
nunca pela expertise
pelas cicatrizes, pelos sons estranhos e toscos
da blusa velha e rasgada
da simplicidade de errar ou não saber o nome daquilo
pela falta de lógica
pela letra feia em idade adulta
nunca pela pretensão em fala
dos mestrandos e doutorandos
pelo corpo em forma
eu me apaixonarei pela olheira profunda
e os erros de português
Eu quero saber do fracasso
das porradas
dos problemas
que dizem mais
quero as ridículas desculpas
os ridículos gostos
os esdrúxulos modos
que definem mais
estou farta de currículos pessoais
e também de fingir gostar
daquela superfície enganadora.
Quero a vileza de ser
e a preguiça de continuar sendo.
É preciso perguntar de novo e sempre
Onde é que há gente no mundo?
On Mon, Mar 11, 2019 at 5:08 PM Mayara Maya
Eu em ALVARO de CAMPOS
Eu, que tenho sido indiscutivelmente grossa
e má aluna.
eu, que tenho ignorado convívio social pelo amargo do escarnio
que tenho sido intransigente na rua
e mal-humorada de manhã.
Eu, que tenho gastado mais que ganho
jogado lixo na rua e não levantado na hora.
Que tenho falado a primeira coisa que me vem a mente,
perdido pertences
e xingado Deus e o mundo
Eu mesma estou farta!
Estou farta de semideuses!
eu me vislumbrarei pela humanidade
pela fragilidade
nunca pela expertise
pelas cicatrizes, pelos sons estranhos e toscos
da blusa velha e rasgada
da simplicidade de errar ou não saber o nome daquilo
pela falta de lógica
pela letra feia em idade adulta
nunca pela pretensão em fala
dos mestrados e doutorados
pelo corpo sarado ou chapado
eu me apaixonarei pela olheira profunda
e os erros de português
Eu quero saber do fracasso
das porradas
dos problemas
que dizem mais
quero as ridículas desculpas
os ridículos gostos
os esdrúxulos modos
que definem mais
estou farta de currículos pessoais
e também de fingir gostar
daquela superfície enganadora.
Quero a vileza de ser
e a preguiça de continuar sendo.
É preciso perguntar de novo e sempre
Onde é que há gente no mundo?
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