no arame
no arame…
sobre tantos precipícios suspensos,
no periclitante equilíbrio da indecisão…
amorfos…
vejo amigos, vós, que sois imensos;
confiar o destino em alheia mão!
nascestes com a vida já hipotecada!
outros têm-vos como sua propriedade!
e tudo fazem
para que a vossa voz se mantenha calada,
não vá a algazarra
despertar-vos para dignidade.
e é com espalhafatosos laços,
ornamentando-vos as belas indumentárias;
que vaidosos, vos deixais amordaçar.
mal sabeis que cavais a cova,
onde lentamente vos estão a enterrar.
de sorrisos forçados nos rostos,
habitando-vos um imenso vazio.
viveis os dias engolindo desgostos
com a felicidade
constantemente inalcançável por um fio.
e mesmo assim resignais-vos à vossa sorte.
sempre à espera do Homem providencial.
como se fosse possível adiar a morte;
e ficar a salvo de tudo quanto é mal.
em corpos de sinuosas geografias,
vendem-vos enlatada, a realização pessoal.
obrigando-vos a deixar para trás ancestrais poesias,
numa permuta sempre desigual…
alguém vos toca no ombro esquerdo
e olhais nessa direcção.
alguém faz o mesmo no ombro direito
e dai-lhes também a mão.
mas eis que outros vêm também
reclamar-vos para o centro.
e vós, não lhes tributais o merecido desdém;
não vá algum ter miraculoso unguento.
é nessa improfícua esperança,
que bailais o bailinho dos cordeiros amansados.
à espera da quimera que, garantiram-vos, se alcança,
no altar onde a esses Deuses sois sacrificados.
e das suas retóricas sem substância,
fazeis o filosófico credo
com que alimentais os vossos filhos.
prometendo-lhes,
ser deles o futuro que vislumbram à distância;
abstendo-os de escolher outros trilhos.
arre! arre… que sois bestas de carga!
cuspis nos corpos que se deceparam para vos fazer!
porque adocicais os lábios com bebida tão amarga,
quando o futuro está no que a vossa vontade quiser!?
é tempo de lhes mostrar qual é o caminho!
as escolhas serão tomadas por todos nós!
ninguém reinará sozinho;
que para isso se sacrificaram os nossos avós!
mas… a escolha é vossa!
tendes a opção de olhar em frente ou viver vergados.
mas se vos resignares a viver nesta permanente fossa,
mereceis esse semblante de permanente derrotados!
leal maria (todos os direitos reservados)
sobre tantos precipícios suspensos,
no periclitante equilíbrio da indecisão…
amorfos…
vejo amigos, vós, que sois imensos;
confiar o destino em alheia mão!
nascestes com a vida já hipotecada!
outros têm-vos como sua propriedade!
e tudo fazem
para que a vossa voz se mantenha calada,
não vá a algazarra
despertar-vos para dignidade.
e é com espalhafatosos laços,
ornamentando-vos as belas indumentárias;
que vaidosos, vos deixais amordaçar.
mal sabeis que cavais a cova,
onde lentamente vos estão a enterrar.
de sorrisos forçados nos rostos,
habitando-vos um imenso vazio.
viveis os dias engolindo desgostos
com a felicidade
constantemente inalcançável por um fio.
e mesmo assim resignais-vos à vossa sorte.
sempre à espera do Homem providencial.
como se fosse possível adiar a morte;
e ficar a salvo de tudo quanto é mal.
em corpos de sinuosas geografias,
vendem-vos enlatada, a realização pessoal.
obrigando-vos a deixar para trás ancestrais poesias,
numa permuta sempre desigual…
alguém vos toca no ombro esquerdo
e olhais nessa direcção.
alguém faz o mesmo no ombro direito
e dai-lhes também a mão.
mas eis que outros vêm também
reclamar-vos para o centro.
e vós, não lhes tributais o merecido desdém;
não vá algum ter miraculoso unguento.
é nessa improfícua esperança,
que bailais o bailinho dos cordeiros amansados.
à espera da quimera que, garantiram-vos, se alcança,
no altar onde a esses Deuses sois sacrificados.
e das suas retóricas sem substância,
fazeis o filosófico credo
com que alimentais os vossos filhos.
prometendo-lhes,
ser deles o futuro que vislumbram à distância;
abstendo-os de escolher outros trilhos.
arre! arre… que sois bestas de carga!
cuspis nos corpos que se deceparam para vos fazer!
porque adocicais os lábios com bebida tão amarga,
quando o futuro está no que a vossa vontade quiser!?
é tempo de lhes mostrar qual é o caminho!
as escolhas serão tomadas por todos nós!
ninguém reinará sozinho;
que para isso se sacrificaram os nossos avós!
mas… a escolha é vossa!
tendes a opção de olhar em frente ou viver vergados.
mas se vos resignares a viver nesta permanente fossa,
mereceis esse semblante de permanente derrotados!
leal maria (todos os direitos reservados)
mail to: lealparaquedista@sapo.pt
Português
English
Español