Carta a Neruda (Ou O Padeiro e o Poeta)
baratacichetto
"La Poesia no muere pero los Poetas tienen que sobrevivir." - Alejandra Arce D Fenelon
Poetas não são pequenos deuses, assim disse Pablo, poeta maior
E não são, pois não existem nem deuses nem ser humano menor.
Se não julgam deuses os padeiros, também não me julgo poeta
Estamos quites então, queridos deuses, padeiros e velho profeta.
Somos todos, querido Poeta, todos nós trabalhadores
Dos padeiros aos poetas, trabalham até os ditadores.
Afirma ainda o poeta amigo do carteiro, que poeta é o padeiro
E eu que nem conheço direito da farinha e do trigo o paradeiro.
O suor do padeiro é o mesmo da meretriz, do pedreiro, do atleta
Mas todos comem de seu suor, enquanto morre de fome o poeta.
Somos todos nós, caríssimo Poeta, todos nós panificadores
Dos padeiros aos poetas, merecem o pão até os senadores.
Porque tem o poeta que entregar seu pão de graça a brutos
Se todos os trabalhadores do mundo recebem de seus frutos?
E o que falaria um padeiro ao receber o Nobel da Panificação
Decerto que pequeno deus não é ele, mas o mestre da Poesia?
Somos todos, querido vate, todos nós somos transpiradores
Dos carteiros aos poetas, transpiram mesmo os sofredores.
Eu não coloco aos poetas no panteão dos pequenos deuses
Mas naquele onde são enterrados os que morrem duas vezes.
E somos todos, médicas, enterradores de defuntos e parteiras
Seres que merecem por trabalho dinheiro em suas carteiras.
Somos todos, doce Poeta, todos nós merecedores
Dos pedreiros e poetas aos pequenos pecadores.
07/03/2013
Poetas não são pequenos deuses, assim disse Pablo, poeta maior
E não são, pois não existem nem deuses nem ser humano menor.
Se não julgam deuses os padeiros, também não me julgo poeta
Estamos quites então, queridos deuses, padeiros e velho profeta.
Somos todos, querido Poeta, todos nós trabalhadores
Dos padeiros aos poetas, trabalham até os ditadores.
Afirma ainda o poeta amigo do carteiro, que poeta é o padeiro
E eu que nem conheço direito da farinha e do trigo o paradeiro.
O suor do padeiro é o mesmo da meretriz, do pedreiro, do atleta
Mas todos comem de seu suor, enquanto morre de fome o poeta.
Somos todos nós, caríssimo Poeta, todos nós panificadores
Dos padeiros aos poetas, merecem o pão até os senadores.
Porque tem o poeta que entregar seu pão de graça a brutos
Se todos os trabalhadores do mundo recebem de seus frutos?
E o que falaria um padeiro ao receber o Nobel da Panificação
Decerto que pequeno deus não é ele, mas o mestre da Poesia?
Somos todos, querido vate, todos nós somos transpiradores
Dos carteiros aos poetas, transpiram mesmo os sofredores.
Eu não coloco aos poetas no panteão dos pequenos deuses
Mas naquele onde são enterrados os que morrem duas vezes.
E somos todos, médicas, enterradores de defuntos e parteiras
Seres que merecem por trabalho dinheiro em suas carteiras.
Somos todos, doce Poeta, todos nós merecedores
Dos pedreiros e poetas aos pequenos pecadores.
07/03/2013
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