O olhar do silêncio



Range uma hora faminta entre as
Dobradiças deste silêncio tão abismal
Oh solene suplica quase criminal

A manhã desponta a olhar para todo
Aquele silêncio demasiadamente penal
Deixando este verso condenado à pena capital

Em bicos de pés a solidão empoleira-se
Em muitas, tantas, emoções passionais
Qual réquiem para mil desejos sensacionais

Atulhada em escuridões que quase putrefazem
Um breu felino e marginal, delira além esta
Avassaladora fé, que é me assustadoramente essencial

Frederico de Castro
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