Lá vai a rosa de negro...
Frederico de Castro

Lá vai a rosa de negro vestida, tão desacreditada
Farta e excessivamente licitada qual estéril
Lamento alinhavado num eco sempre decapitado
Lá vai a rosa de negro, de negro pintada
De negro a noite mais negra açoitada
De breus vestida e com palavras enjeitada
Lá vai a rosa de negro sem escolta ao relento
De véus funestos traja um infando breu premeditado
Que se esconde nesta escuridão deveras tão rejeitada
Lá vai a rosa de negro de negro tão denegrido
No átrio do tempo um lôbrego silêncio deixa falido
Oh, nefário lamento escoltando um triste ai tão combalido
Frederico de Castro
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