Escritas

Depois do carnaval

Nilza_Azzi

Tirei uma tampinha do meu dedo,
ele sangrou e não parava mais...
O mundo entonteceu, ficou azedo,
mas recebi socorro de um rapaz.

Olhei pro sangue e senti tanto medo,
que aquelas gotas me fossem mortais
e, assim, da terra, fosse eu tão cedo.
– Alguém iria aos meus funerais?

Mas minha alma não fugiu em gotas,
o esvair-se não aconteceu
– esse meu medo estúpido, ancestral .

O esparadrapo, com as bordas rotas,
esconde o corte que o dedo sofreu:
só vou olhar depois do carnaval...

Nilza Azzi
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