Borboletas
Nilza_Azzi
E se não mais houvesse as borboletas
azuis, riscando o ar no céu de agosto?
Seguidas de monarcas, por suposto,
em pretas e amarelas piruetas...
Vacila o pensamento, predisposto
a crer nesses ardis, fazer gazeta,
deixar que a forma inerte se derreta,
cair na realidade, a contragosto.
Se mesmo aquelas simples e amarelas
fugissem dos recantos do jardim,
teria o meu olhar, quais alegrias?
— Apenas as crisálidas vazias,
a imaginar que a vida é mesmo assim,
um campo de passagem, sem sequelas.
Nilza Azzi
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