Escritas

Órfã

Nilza_Azzi

Hoje o mundo jaz, de um modo tão pequeno,
que eu me vejo só, em meu jardim secreto.
Sei, de pai e mãe, o que é perder o afeto;
sei o que é um adeus – quisera sofrer menos!

Herdo esta ilusão de um ninho mais seleto,
pleno de prazer, tão cálido e sereno,
que não sei viver distante desse reino.
Faço a minha lei; governo por decreto.

Meu casulo, enfim, é o berço em que, dormente,
tenho em minhas mãos o sonho da semente
e meu coração, que desconhece o medo,

segue a procurar a terra prometida.
Ao que chegue a vez, escolho uma saída:
– tens, ó solidão, um gosto amargo e azedo.

Nilza Azzi
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