Visita
Nilza_Azzi
Quando, nas madrugadas, o silêncio
da minha sala enche o espaço mudo,
do céu escuro, dos confins extensos,
surgem fantasmas, sombras de veludo,
a evolar-se pelo ar, como os incensos.
A forma transparente envolve tudo
num halo triste; cobre o mundo denso.
Seria a poesia quem visita,
vestida de mistérios, de segredos,
a solidão eterna da alma aflita?
Tão doce, faz brilhar meus olhos quedos,
a sílfide atraente, assim bendita,
que afasta para longe os velhos medos
e traz a inspiração, e eleva, e agita...
Temente de que o dia a leve embora,
fecho as janelas, logo apago a luz,
cerro meus olhos, repudio a aurora,
pois a visão da deusa me seduz.
Busco a palavra, pois ela me escora;
à sua bênção quero fazer jus
e escrevo versos, como o faço agora.
Nilza Azzi
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