Escritas

Dantesco

Nilza_Azzi

Havia monstros azuis incandescentes
e outros vermelhos, girando ao meu redor.
Havia dor, muita dor, nesse ambiente,
de um tipo tal que não deve haver pior

e a luz perfeita de um céu indiferente
a incidir sobre a pedra do altar-mor.
Era o inferno de Dante à minha frente?
Era pior que eu pensara e bem maior.

Tornava em bênção a pena mais temida
e a sujeição pela espera, num suplício.
– Seguir sem fim, condição da prória vida!

Como sofrer fosse um fardo vitalício
e aquele horror –  um fantasma suicida –
uma cilada na estrada, um precipício.

Nilza Azzi

 
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