Mastro do tempo
Frederico de Castro

A subir pelo mastro do tempo
Embandeira-se uma hora inactiva
Aprisiona um penacho de luz que
Ondula pela maresia tão exsudativa
A solidão mutilada estende-se ao
Longo deste silêncio irreversível
Excomunga da memória qualquer
Lembrança absurdamente imprescindível
Embalo entre minhas mãos a noite esquiva
Enfeitiçada por escuridões quase cativas
Entrelaçando-se entre sombras matreiras e exclusivas
Sem rumo cada breu disforme e instintivo pernoita
Entre uma cachoeira de lágrimas tão supurativas
Quais maciças caricias sedentas e mais coercivas
Frederico de Castro
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