o irregular bambolear do meu amor

bate meu sentido,
no irregular bambolear do seu caminhar
na graça sinuosa
duma anca que se quer prenunciar
onde nada é fingido
e só obedece á mecânica da articulação
numa natural beleza de me tirar o juízo
e encher o coração

e é com disfarçada emoção
que a vejo assim verdadeira
como se num constante renovar
fosse a vez primeira
olhando-lhe o juvenil seio
entre a promessa e a realidade
e dele afastando meu olhar
num pudor de virgindade

emolduram-lhe os belos olhos
umas elípticas pestanas
e fazem meu coração ateu
oferecer a um Deus hossanas
mas… ò desgraça!
não é toda essa beleza que me a faz amar
É tudo… tudo…
este meu tirânico desejo que não sei explicar

sei que virá o dia
em que findará esta minha ilusão
mas o que amei
me perdurará perpétuo no coração
lá ficando a um canto o que foi sentido
feito em saudades
onde o ridículo das palavras ditas
não perderá as suas intrínsecas verdades


leal maria

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