Escritas

Cariátide

Danilo de Jesus
Há tanto tempo perdido em Marte, que não vi a Terra girando. Por isso, cheguei exatamente onde não fui, sou o que não pude ser! 

Secaram-se as lágrimas.

O grito que se perdeu, ainda no desejo, ecoou estrondoso, mas a morte apenas começava.
– Geme, meu filho! Porque o tempo trouxe-te monstros de abismos nas gargantas, os quais estão prontos para te engolir!

E os carros me passam por ruas que não sou, as casas me surgi dos poros, e o Céu desenha-me  toda uma maquete de nuvem e ausência e cimento para a vida   –    Cariátide pecadora e derrotada –   para vida sustentar!

Também, há tanto tempo lá perdido que a pupila do olho, sem olhar e sem pupila, caiu sob o sol e o cegou. Sobretudo, perdido dentro do vazio e do medo! Que a ausência de amar me deu um Amor frio e sem pilhas, comas quais  não consigo ligar a televisão  que me assiste, mesmo ambos desligados.

Hoje, em meu peito sem som, porém quente, tudo é fotografia e saudade ou mentiras   – Valha-me Deus, que nem eu sei o porquê!
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