Escritas

Texto de libertação e saudade

Danilo de Jesus

Parece morte.
Morte, parece!
Mortes parecem más.
Parece morte mais e vida! vida!

Tristeza, vibra Humilhação!
Mas, como bem cristão, 
Todos humilharam-na também.
Só uns olhos, aqueles mesmo que buscar não posso,
Ajudaram-me nem sei porque, mas penso que não foi por piedade.

 
Teve de tudo:
Uma vozinha medíocrezona e julgamentos duros e verdadeiros.
Mas os olhos...
Por eles forem que a morte nasceu-me em vida!

 
Sofri arrependido e tristemente:
Procurei um beco,
beco não houve nem nada;
A coisa passou, como todas as coisas que passam
–  Nem caí.
Agora, saboreio esses versos com café!


Penso que nunca mais serei menor
nem refletir-me-a-rei por dentro 
–   O Eu sabe, mas a vida é toda uma busca de vencer o Tu – 

nem  ouvirão a minha alma agachada na sombra a pedir socorro,
juro, por aqueles olhos
e por esta morte, que acaba de trazer-me vida e à vida,
Que tenho a vitória por vingança.
Principalmente, eu juro por respeitos àqueles olhos.

Agora mesmo eu poderia falar deles,
assim mesmo, der repente:

Que como último gesto, de quem é acostumado a nunca olhar para nada, tentei os reduzir à carne, de propósito mesmo, só para matá-los, mas  nem assim! Porque era outra coisa, antes duas letras do alfabeto. 

Eles são como o sol e não têm culpa do brilho que fazem,
são belos e sabem disso. Ou não ? Todavia trazem-se numa simplicidade e respeito tão grandes que percebê-los foi um pecado meu. E disso não me orgulho.
 
A vida é um livro do qual não temos o controlei do que se vai escrevendo, porque quando leio o capítulo dos Olhos,
não consigo entender com eles foram parar lá: Falta de respeito, ousadia concedia, nada disso: Eles estão lá e não se sabe como! 
 
Na verdade, o texto até o próximo ponto final será de libertação.
A partir de agora é de saudade.
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