CIRCUITO FECHADO
jsmendes
Extinguiu-se o fogo de minha
mata particular e não tomei
consciência de que meus versos
são prosa em marcha-ré. O que
quero e o que não quero é mera
fantasia em que ancoro os dias
no corpo concebido por um deus ou
pelo acaso irracional.
Eu escrevi meu álbum alto-intitulado:
meu sobrenome atado ao fardo que
carrego como cruz no peito,
como insônia beligerante contra
meus olhos machucados;
Quero ter comigo a canção que
cantou meu amado, sobre o caos
que é amar um poeta e vê-lo sorrir
com tormento nas linhas da face.
Quero esquecer-me do entardecer, do
ocaso, dos sapatos ao lado da estante,
da voz desatenta de minha mãe, do tremor
confuso de meus ombros e mãos...
Doem-me as têmporas e os ossos,
o tempo mastiga-me as vontades e os
anseios. Quero refestelar-me no
penoso de minha solidão, na ausência
de meus amigos e na carência
de um poema de Pessoa.
mata particular e não tomei
consciência de que meus versos
são prosa em marcha-ré. O que
quero e o que não quero é mera
fantasia em que ancoro os dias
no corpo concebido por um deus ou
pelo acaso irracional.
Eu escrevi meu álbum alto-intitulado:
meu sobrenome atado ao fardo que
carrego como cruz no peito,
como insônia beligerante contra
meus olhos machucados;
Quero ter comigo a canção que
cantou meu amado, sobre o caos
que é amar um poeta e vê-lo sorrir
com tormento nas linhas da face.
Quero esquecer-me do entardecer, do
ocaso, dos sapatos ao lado da estante,
da voz desatenta de minha mãe, do tremor
confuso de meus ombros e mãos...
Doem-me as têmporas e os ossos,
o tempo mastiga-me as vontades e os
anseios. Quero refestelar-me no
penoso de minha solidão, na ausência
de meus amigos e na carência
de um poema de Pessoa.
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