Escritas

Conto de Areia

MQLongo
São em noites de Lua amarela
Em que suspira saudosa a donzela,
Que se passa essa minha história.

São tempos de pouca glória
Vivos através da memória
De um velho amigo meu.

Quando o silêncio para o tempo
Ouve-se o sussurro do vento
Um choro distante trazendo.

E eis que o cochicho das árvores
Funde-se com o assovio de milhares
Micropartículas de poeira.

Quando a Lua lambe a terra prateada
A filha pelos deuses rejeitada
Levanta-se do leito na capoeira.

Só, ela anda a soprar o beijo
Que um dia guardara em seu peito.
Dó é o que sentiam a seu respeito.

Quando ela chega na beira do rio, 
A Lua desenha uma passarela 
Sobre o líquido sombrio

E eis que Menina então
Desfila
Sobre a água seu corpo
Fibrila

O luar na areia.

É ela a filha da Lua Cheia.
É bela e terrível sereia.