ATREVIDO

Meu menino aduaneiro
Mistura de propósito as conversas
E eu avô experiente
Mais propenso a ser criança
Sem noção fazemos o dia
Ferver às avessas

Servimo-nos das mesmas travessas
O alimento que permeia
Espremer-se pelo leito
Alimenta nossa vida travessa
E a hora pregressa e perversa
Que nos enche com promessa
De nada ou pouco adianta
Suporta ou contenta

A priori nos fartamos das verdades
Desafiamos cada uma das tardes
A nos transportarem para a noite

Há quem não chegue nem dormir
E tantos que nem acordar consegue
Porque a vida nem mais pulsa
Ainda que o pulso peleje

Isso tudo é mesmo uma bagunça
Ainda que nos aliemos ao tempo
Esse atrevido insano
No cotidiano se amoita
Impiedosamente de seu espaço
Nos expulsa
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