Rose - escrito anteontem
Roberto Martins Gomes Junior
Tentei o quanto pude desconsiderar a morte do meu tio. Ignorei comentários e passei pelo seu enterrar como quem ali não esteve.
Pensei muito na minha mãe e o quanto ela o amava e, covardemente fortalecido, me mantive imune, fugindo...
A pegadinha, os tombos do domingão, a comida da minha mãe, a música que toca – que tocava nossos corações -, o torresmo do bar, o robalo do meu e-mail, o sarcasmo da minha alma, o resto todo... tanta coisa cotidiana e nossa, tanta coisa! Hoje não consigo mais não querer acreditar. Pensar que nunca mais teremos esses momentos bobos, que só a gente entendia e que à mim, amenizava um pouco disso tudo que é a vida. Pensar que nunca mais verei meu tio me aperta o coração com tanta força que chega a doer por fora.
E acabo por remoer e relembrar que sou o que sou, muito do que sou, por ele, apesar do desinteresse natural por ensinar, proeminente da sua personalidade, – por mais que não seja aprender o que dele ficou comigo - aprendi. Naturalmente perspicaz se tornou minha referência, meu anti-herói.
Sorrio agora com ternura ao lembrar de ter dito isso a ele. A reação em seu rosto, em seus olhos contidos, e que aos meus embaraçam, não poderia ser mais nítida.
Sinto saudade do meu amigo, muita saudade! Assim como um vício, um saber que ele seguirá comigo até o final.
Pensei muito na minha mãe e o quanto ela o amava e, covardemente fortalecido, me mantive imune, fugindo...
A pegadinha, os tombos do domingão, a comida da minha mãe, a música que toca – que tocava nossos corações -, o torresmo do bar, o robalo do meu e-mail, o sarcasmo da minha alma, o resto todo... tanta coisa cotidiana e nossa, tanta coisa! Hoje não consigo mais não querer acreditar. Pensar que nunca mais teremos esses momentos bobos, que só a gente entendia e que à mim, amenizava um pouco disso tudo que é a vida. Pensar que nunca mais verei meu tio me aperta o coração com tanta força que chega a doer por fora.
E acabo por remoer e relembrar que sou o que sou, muito do que sou, por ele, apesar do desinteresse natural por ensinar, proeminente da sua personalidade, – por mais que não seja aprender o que dele ficou comigo - aprendi. Naturalmente perspicaz se tornou minha referência, meu anti-herói.
Sorrio agora com ternura ao lembrar de ter dito isso a ele. A reação em seu rosto, em seus olhos contidos, e que aos meus embaraçam, não poderia ser mais nítida.
Sinto saudade do meu amigo, muita saudade! Assim como um vício, um saber que ele seguirá comigo até o final.
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