Escritas

Dos Sonhos e do Plágio

Roberto Martins Gomes Junior
A beleza de saber que não sou nada 
E que não posso nada querer 
Esvaiu-se nessa minha certeza 
De não ter mais os sonhos de outrora 
E que o mundo sem eles nada tem a perder 

Tudo isso é muito justo 
O esforço que fiz foi enorme 
Mesquinho, ridículo, infantil e esnobe 
Quem discordar do que digo 
Ou é só um amigo 
Ou um coitado, pueriu e inculto 

E assim, aos poucos e mais depressa 
Progressivamente, talvez geométrica 
Vou assim, caminhando inerte e sem rumo 
Nao vejo mas os tais sonhos 
Consolo do nada que somos pro mundo 

Peço desculpas, e contudo me culpo 
Assim mesmo, sem saber o que sou 
E sem a força do poeta que sonha 
Nada mais a fazer 
Me recolho e me vou