Escritas

Antialérgico

contemplativo
A dor da existência

De viver sem referencia

Tentando achar a freqüência

Que diminua o cansaço...

E por isso às vezes eu acho

Que morrerei sem entender

Como a gente vem a sentir

Uma dor por só por existir...

 

Nem é pra entender

Algo que não se pode descrever

Que não tem remédio a prescrever

E às vezes não tem nada a ver

É só esperar que o tempo passe

Como se com isso cessasse

Trazendo melhora pra face

Ajudando a manter o disfarce

De quem nunca mal passasse...

 

Não dá pra tentar explicar

Pois parece que assim piora

Melhor estático, sem melhora

Esperando chegar a hora

Que algum alívio se manifeste

E o desejo de sumir conteste

Deixando que só lutar reste

Para que só existir preste...

 

A mente é complicada

Constrói a dor de um nada

A deixa bem estruturada

Não podendo ser ignorada

Muito menos explicada

Enquanto o tempo passa

E a gente se sente a caça

Da existência que disfarça

Mas que no fim fica com a taça

Por nos deixar na desgraça...

 

Assim vou levando

De tanto levar adoeço

Pago direitinho o preço

Daquilo que não mereço

E fica como adereço

Pra exibir pro futuro

Como prova de que fui puro

Ao me jogar contra o muro

Sem saber que era duro

E é por isso que não curo...