Escritas

OS AMORES INVISÍVEIS

Adonay Moreira





Estão na sombra, onde nem a morte nem

o tempo os conhecem,

estão calados e comovidos, como grandes

estátuas que meditam o fogo e a água.

E são sublimes, há em seus olhos qualquer

coisa de gratuidade ou sonho que reveste

a noite de uma cor ainda indecisa,

transparente, que tinge nossos dedos

e resiste à fome e ao cansaço.

Seus corpos existem, mas hesitam.

Suam na sombra, onde dormem estirados sobre as

folhas secas que recobrem o pátio.

E esperam. Na noite, na luz, na água, no vento, no mar

esperam, mortalmente esperam aqueles que um dia os amem.