Escritas

A VISÃO DE UM SONHO

ERIMAR LOPES
Foi-me dada a visão: Uma estrada longa cheia de pedregullhos, que ia ficando cada vez mais intransitável por causa das grandes valas e pedras que iam surgindo. E a estrada já não era mais porque o seu pavimento todo se afundara, e de repente vi um riacho que descia com as suas águas que iam em direção a um grande rio que estava secando, e eram muitas águas, e o grande rio esperava ansioso. E as águas passavam por longos tubos rochosos que o leito do riacho formava a caminho do grande rio. E fiquei encantado com tudo, mas quando estavam tão próximas, antes que as águas chegassem ao grande rio que estava secando, elas desapareceram, e eu apenas via as formações rochosas do leito do riacho por onde corriam aquelas águas. E fiquei atordoado porque não entendia, porque o grande rio que estava-se secando possuía outros afluentes, contudo as suas águas não eram suficientes, e o grande rio clamava porque as suas vidas estavam morrendo, e ele precisava das águas daquele riacho para sobreviver e continuar chegando ao mar. Então fiquei triste porque contemplava o desespero daquele grande rio que se secava e as suas vidas morriam. E foi por um tempo angustiante para o grande rio, e eu ainda via o riacho seco com as suas formações rochosas. E dentro de um espaço de tempo ouvi um bramido, como um som de um turbilhão de muitas águas que desciam violentamente e me assustei e temi. Porque via a angustia do grande rio que se secava e a esperança dele eram as águas que desciam do riacho e, se mais uma vez elas desaparecessem, ele pereceria de vez. Ao final daquela visão as águas chegaram, e vi que eram diferentes, que vidas davam abundantemente, e o grande rio encheu-se, transbordou-se, e as suas vidas não morriam mais, e foi e as levou de encontro ao mar, e o mar as recebeu.

Ipatinga, 22/02/2019
Erimar Lopes.
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