A ser amor...
Frederico de Castro

– A ser amor…
Tínhamos que sentir, sem ter que suportar
Satisfazer nossas almas em silêncio
Mesmo que por vezes incomunicáveis
Ver nelas repercutido nossos beijos insaciáveis
– A ser amor…
Tínhamos que desembarcar
No mar das noites longas
Navegar nas maresias da paixão
Confundindo-nos entre ondas que
Nas margens reverberam plenas de emoção
– A ser amor…
Teríamos que nunca padecer de saudade
Nunca perder nossa razão em razão da verdade
Ser imbatíveis na procura da liberdade
Fertilizar a vida e o amor repleto de criatividade
Com palavras engalfinhadas na serenidade
– A ser amor…
Vamos legitimar cada beijo sancionado
Abraçar a solidão que desabrocha inflacionada
Tempestuosa e prenhe de tenacidade, reerguendo
Na inóspita manhã, intimas luminescências
Ferozes, sagazes, bebericadas com unanimidade
– A ser amor…
Seriamos mais aperfeiçoados
Para nunca sequer conter nossas lágrimas
Assim que estas se debrusçassem entre lençóis
Confidentes e apaixonados, ateando fogo à
Selva de desejos muito bem esmerilhados
– A ser amor…
Não haveria perdão ou castigo
Porque na mansão do amor se recriaria
Toda esta paixão nobre, fiel e equitativa
Adornando beijos e palavras tão superlativas
Frederico de Castro
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