O Médico (Pelópidas Gouvêa)
pelohg
Ser médico e ter sempre em risco a vida,
Jamais negar-se ao próprio sacrifício,
Fazer aos inimigos benefício,
Sem outra paga que não a da ação cumprida.
Ser médico é ser cego ao artifício,
Mudo ao queixume, à confissão contida
Pela vergonha de íntima ferida,
E não poder sanar o malefício...
Ser médico é passar pela amargura
De ver, inerte, em dores a criatura.
E, quanta vez? (desapiedosa sorte!)
Contendo a lágrima que se derrama,
Ouvir, tremente, o peito à quem nos ama,
Sentindo dele aproximar-se a morte!
Jamais negar-se ao próprio sacrifício,
Fazer aos inimigos benefício,
Sem outra paga que não a da ação cumprida.
Ser médico é ser cego ao artifício,
Mudo ao queixume, à confissão contida
Pela vergonha de íntima ferida,
E não poder sanar o malefício...
Ser médico é passar pela amargura
De ver, inerte, em dores a criatura.
E, quanta vez? (desapiedosa sorte!)
Contendo a lágrima que se derrama,
Ouvir, tremente, o peito à quem nos ama,
Sentindo dele aproximar-se a morte!
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