Escritas

Amor de mãe (Pelópidas Gouvêa)

pelohg
Num prostíbulo, ardendo em febre, chora
Inquieta, debatendo-se, a criancinha.
Ao pé do leito u'a mulher implora
E, maternal, abraça-se à doentinha.

Na morna alcova, onde a volúpia mora
E a boca impura, os beijos amesquinha,
A mesma boca que assim beija, agora
Se purifica ao murmurar: filhinha...

Naquela cena em meio ã desventura,
Paira sublime, plena de beleza,
Esta verdade santamente pura:

Que importa o berço, a cor, as condições? ...
No fausto que desdenha ou na pobreza,
O amor de Mãe nivela os corações!