Escritas

CORVO MALDITO

Cedric Constance
Volta o corvo, a atormentar a alma inquieta,
Bicando as feridas, há muito cicatrizadas.
Verte o sangue das chagas rútilas e secretas, 
Agoniza em meio a dor, duma alma penada.

Corvo, maldito corvo... Porque me atormenta?
Já não vês a penúria que me aflige e maltrata?
Pois é de minhas lágrimas que tu se alimenta, 
E tua sombria presença, aos poucos me mata. 

Vai-te daqui! Vai, animal profano e diabólico...!
Não hás de roubar a essência de meu viver, 
Nem curvarei a ti, meu espírito melancólico!

Tu, pássaro carniceiro a grasnar um queixume,
Não hei de sucumbir as trevas do anoitecer, 
Devolva a alegria que levaste em teu negrume. 

- Cedric Constance

corvo
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