Escritas

Azar dos que se vão

Souza Gomes
Perde-se um engenheiro,
um médico, um juiz
e mesmo que seja um jovem aprendiz,
mas o preocupante são os ocupantes
que assumem o lugar destes faltantes,
que mesmo sem pretenderem,
acabam por desfalecerem.

Vagando uma lacuna
que não deixa de ser inoportuna,
pois escancara uma abertura
para um caminho vicioso
que pode levar a um rumo desastroso,
um país até vistoso,
que muitos dizem ter um futuro lindoso,
mas que nunca se prevalece,
pois, muita das vezes esquece
que temos um quadro horroroso.

Perde-se um jardineiro,
um faxineiro, um enfermeiro
e muita das vezes até mesmo
quem faz o papel do coveiro,
mas o desespero
é saber o motivo do entrevero
que acabou por findar tão cedo,
tão nobre guerreiro.

Vidas que um dia serão lembradas,
sempre em tabelas mal-arranjadas...
Gráficos, números, estatísticas,
nem mesmo um simples pesar
para aqueles que um dia tentaram ajudar
a estes, o país carregar.

Esta é uma guerra injusta,
onde perde-se um policial,
um general e por que não, um serviçal.
Chega a ser jocoso,
perder tão nobre ser honroso
em troca de um tipo monstruoso
que cada vez mais se prolifera
nesta nossa nação tão severa.
                                             
Esperemos sobreviver,
ou melhor... viver,
e cada vez menos perecer,
sofrer, compadecer, esmorecer
e às vezes até desaparecer
sobre formas tão vis que acostumamos a ouvir,
assistir e até mesmo aplaudir,
atos daqueles que a meu ver,
também nos farão falecer.
 
Ó Pátria mãe gentil,
saía das letras e seja mais presente
para que esse povo carente
perceba mais evidente
o que se prega no antecedente,
presente e
Posteriormente.

Souza Gomes