infância
Lasana Lukata
nuvens no horizonte, não distingo ditongos...
no convés batem, marujos, a ferrugem dos tempos,
voam garças em direção ao passado, idade de pedra...
na praia o poeta crava seu arpão na fugacidade:
a tartaruguinha correndo na areia
e os rasantes voos da gaivota
era madrasta sobre mim,
dura, espinhosa, bicando minha infância
para todos os lados,
suas mãos de diamante me prendendo
e eu querendo chegar ao mar,
onde já estava tudo diluído,
sem ritmo, sem nome
e Ulisses era Ninguém;
onde pedra é polvo
e a palavra com oito tentáculos
oito cores
oito texturas
oitenta disfarces
às águas rasas,
para manter-se criativa,
vinha devorar a poesia.
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