Escritas

poema degradado

Lasana Lukata











aguardando navios o cais apodrecido

a cidade comercial um joelho que se dobra

meu joelho não se dobra

dessa terra de laranjas

eu herdei a acidez

a pedra aberta por um raio

homens com mãos fechadas

mãos de pedra só abertas

por um raio e o rio

tão sujo como a política

impossível não manchar as asas

desenrola língua negra

veludo preto

onde presas as derrotas que vende

o barquinho de papel tropeça nas ondas

o tempo para com as garças

a garça plágio do urubu

que se limpa com palavras

vem todos os dias

empoleirar-se no meu verso

com sua visão binocular

enardecer

um mostruário de misérias.
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