Escritas

em Y

Lasana Lukata
da biblioteca do SESC olhava o óbvio num galho bívio,

a letra Y que se espalhou na América,

no tupi Nictheroy, Icaray...




nela pousada a garça ou mesmo no livro,

outrora menino, não passava de forquilha

para acertar passarinhos...




perspectivada garça de visão binocular

e ele olhava a vida com o olho do P de Polifemo,

sem ver nas ruas as placas de advertência:

bifurcação em “Y”.




depois ele foi passarinho,

a forquilha o acertou...




em vindo a madrasta,

tendo três filhos e o pai dominado,

o ramo bifurcado exibia abertamente o verbo separar,

no geográphico nome ICARA-y, substituto do i,

antiga orthographia,




plantas cabisbaixas,

a melancolia bifurcava-se nas flores

e já não sabia dizer

se foi a letra desprezada

ou a sílaba que escapou.




mas além da paisagem,

o flamboyant em flor,

pétalas caindo,

para ele sangrava

na superfície pura de uma garça

que mesmo mutilada, insistia em voar

sobre o Rio Merity.
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