Amor de WhatsApp
edinei_44
Ando farto do teu amor "whatzapeando" de madrugadas insones.
Ando farto da ansiedade da demora da chegada dos "dois pauzinhos azuis" que me confirmam o que deveria ser, na real do nosso mundo possível, teu colo, teus abraços, teu cheiro e teus beijos doces.
Farto do descompasso da chegada do sono nas altas madrugadas e do egoísmo quando teu sono chega no melhor das minhas mensagens e tu me deixas a lançá-las ao vento virtual, que, domesticado por ti, nem ao menos ordena aos satélites vagos que nos unem que tragam a mim
um pouquinho do teu calor. Calor virtual. Frio. Egoísta. Que só vem quando quer.
Farto de "ninar" teu sono e de interromper minhas leituras para me dedicar a ler o teu ser por intermédio de toques no teclado que nem ao menos visualiza teus olhos quando fala por mim, nesse romance whatzapeado em intermináveis madrugadas insones.
Ando farto da tua insistência para que eu não vá, mas quando tu vais, segues a mesma lógica do vir. Vais quando queres ir, e vens, em raras quebras de protocolos virtuais, também guiada pelo teu modo ditatorial de querer. Dominas o protocolo virtual e dominas as migalhas do teu real.
Ando farto de despedidas impostas pelo arbítrio do teu sono, que de tão indelicado e injusto nem ao menos consegue lembrar de retribuir o ninar diariamente ofertado por mim. Tão apaixonadamente entregue a ti em plantões diários whatzapeados.
Farto desse vício notívago de querer te ninar quando já sei que tua vinda é tão certa quanto a tua indelicadeza de me deixar falando sozinho só pq minhas doces palavras te acalmam e te fazem relaxar e dormir.
Farto de não finalizar nossos diálogos com dois pauzinhos azuis, que me deixam ansioso por respostas que só virão na alvorada do amanhecer. E que me obrigam, em ansiedade normal de quem fala o melhor de si, a demorar para dormir e sonhar contigo.
Só de uma coisa não estou farto. Da delícia da tua cara de pau, já à luz do sol do dia seguinte, quando dizes: bom dia, meu amor! Dormiu bem?
E nesse gostoso bom dia já me programo para novos e encantadores diálogos de madrugadas insones.
Por tudo isso, por melhores condições de amar, estou de greve. Fora gelo! Fora ressentimentos tolos!
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