Escritas

Leve livre

Allan Sene
Quero sentar num banco de praça
Ver cabelos se esvoaçarem
Tocar pombos mal-acostumados em comer demais
Molhar os pés no regador da grama

Quero ver silhuetas de boa gente
Cortando o descer do sol ou lua que seja
Descascar o verniz da madeira
Esticar meus braços cruzados pra trás

Quero menos felicidade mas mais
aos poucos e pedaços
Tacar pedras que quiquem no espelho d'água
quatro ou cinco vezes, sem afogar

Quero aproveitar a infância das crianças do parque
Ter areia nas unhas
Cheiro de grama e chuva

Quero o amor do mundo
aquele invisível presente tocável
pra mim e pra todos.