Escritas

Amor Minguante

Domingos Alicata

Amor Minguante

Noite profunda. Quase sem vida.

Dedos tentam encontrar a perdida

inspiração acariciando teclas inertes

que, sem forças, se apóiam no vazio.

Pela janela, edifícios apagados

tentam definir os limites da solidão.

Inconformado, busco uma luz ou

um som que confirme, ao menos,

um simples sopro de vida.

Um choro de criança.

Um gemido de amor.

Uma música romântica.

Resignado olho para a Lua, já

minguante e vejo, de repente, você.

Fria e distante, mas você...

O brilho já não é o mesmo.

O nosso amor, como ela, mostra

apenas um leve contorno de luz.

Ecos do passado se ocultam

atrás de indiferente silêncio.

Vazia, a tela do computador

conformada se apaga.

Com um amargo clique desligo

nossos corações, secos e distantes.

Em silêncio, na madrugada, nosso

amor falece...

Domingos Alicata

Rio, 30.07.2005

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