da MORTE, cantata em odes mínimas
ALVARO GIESTA
4.
Alimenta o teu ventre, esse amor que há tanto dura
pelo meu ser, faminto e doentio. Sim, tu, oh Morte
que tão demasiados anos da minha vida
trouxeste o teu dentro arredado e fugidio.
Hás-me urdir nesse denso e frígido amor
em tempo teu, sobre mim a tua teia.
O tempo virá em que à tua se há de unir
a minha carne ___ vida da tua vida.
Como a trovoada que sobre a terra áspera
e dura, derrama o cíclico raio quando nunca chove
e o rochedo seca e abre brechas em sua cíclica
textura, assim escorra tardiamente sobre mim
e a minha vida, o teu amor pela minha sorte,
___ e tarde o tempo
em fazer da tua vida a minha morte.
OPUS, selecta de poesia em Língua Portuguesa, Temas Originais, Coimbra 2018
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