Escritas

da MORTE, cantata em odes mínimas

ALVARO GIESTA
3.

O meu tempo agora é teu... e há muito dura!
            Ama-me com a fome que tens de mim
em fazer da minha carne - ânsia que te consome -
o teu leite prometido, a tua carnadura
            ___ o diamante puro para o teu altar.

            Já não me atormenta o teu nome!
Porque tu, Morte, és a Vida-semente da minha vida
amor que em ti se prolonga indefinidamente.

Escurecem os teus olhos que por mim brilham
por alimentar o teu ventre esfaimado,
            de mim sequioso e tardio
quando por fim descer à terra escura.


OPUS, selecta de poesia em Língua Portuges, Temas originais, Coimbra, 2018
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